Chassi Scania K470 chega ao Brasil e Gontijo deverá ser a primeira a comprar

Fonte: Mobilidade em Foco (Facebook Fanpage)
Fotos: Eugênio Ilzo da Silva/Michel dos Santos/ Adriano Minervino

Lançado no IAA, edição do ano de 2007, realizado na cidade de Hannover, Alemanha, quando a Scania montou um estande com o intuito de valorizar junto aos visitantes e compradores potenciais dos produtos da marca a sua condição de parceira por excelência, uma das ênfases, no espaço reservado aos chassis para ônibus da marca do Grifo, foi o lançamento do chassis Scania K 470, montado sobre carroceria Irizar PB. O motor desse chassi é um caso a parte. Praticamente único no mundo, tem 12 litros, seis cilindros em linha, turboalimentado, com intercooler, 470 cv de potência. Nenhum outro motor no mundo conseguiu extrair 470 cv de potência máxima num 12.000 cm3. Isso é potência para motores de 13 litros, 14 e até 16 litros. Como a Scania conseguiu isso? Saiba mais aqui nessa matéria!

Bem, foi empregado a tecnologia denominada de Turbocompound. Trata-se do mesmo motor que equipa o caminhão R 470. O Turbocompound dá um salto na potência do motor de 12 litros. E isso sem gasto adicional de combustível em relação a potência de 420 cv, que é a potência original desse motor.

Nacional, do Grupo Gontijo
Pra conseguir tamanha potência nessa cilindrada foi empregado uma segunda turbina, que aproveita os gases oriundos da câmara de combustão, que seriam desperdiçados pelo tubo de escapamento. Após passar por essa segunda turbina (Turbocompound) que, com o apoio de um conversor de torque e de um conjunto de engrenagens, os injeta novamente no sistema de admissão, juntamente com o sopro da primeira turbina, elevando consideravelmente a potência em cerca de 40 cv.

No início de 2012, a Scania foi a primeira montadora brasileira a vender no mercado brasileiro caminhões e ônibus com motores dotados da tecnologia Euro 5, Proconve P7. No segmento de ônibus rodoviários, os chassis da Série K, priorizam conceitos de conforto e segurança, com custos operacionais reduzidos e baixa manutenção. Dotado de tecnologia de ponta, os chassis Scania contam, na suspensão, com o Controle Eletrônico de Nível/ELC, sistema que controla a suspensão a ar e ajusta o nível do chassi, compensando as irregularidades do terreno. Para o motorista, a comodidade de poder contar com volante multifunção, com comando de áudio, rádio/CD, volume; regulador de quatro posições do Cruise Control (piloto automático), para ativar, desativar, dispondo do programa de velocidade; e comandos para navegar o menu de opções do computador de bordo.


O pioneirismo da Scania em ser a primeira montadora no Brasil a lançar produtos dotados de tecnologia Euro 5, aliado a itens de série que antes eram opcionais, como o câmbio automático Opticruise, freios ABS, 120 mil quilômetros de ARLA 32 grátis, o poderoso sistema de frenagem Retarder. E o chassi Scania K 440, pra ônibus, com todas as inovações, vem disputando o mercado de maneira firme e é um sucesso de vendas, passando a ser a grande opção de inúmeras empresas, como, por exemplo, a Viação Catarinense, cujos chassis Scania seguem sendo os preferidos nas compras desde o ano de 2010, nas versões K 340, K 380, K 420 (Euro 3); K 360, K 400 e K 440 (Euro 5).




No entanto, na faixa de cima, o chassi com motor mais potente, é da Volvo, com o B 450 R. Agora, com o lançamento do K 470, a Scania estaria prestes a ultrapassar a rival sueca em 20 cv de potência. E com um motor mais “engenheirado”, pois enquanto a Volvo extrai 450 cv num bloco de 13 litros, a Scania estaria alcançando 470 cv num motor de 12 litros. Isso é tecnologia, que exige investimentos, milhares de dólares empregados em horas e horas de engenharia, em ferramental, em horas de testes de laboratórios, em testes de “campo”.

E a empresa mineira Gontijo, que detém o título de maior frota de ônibus com chassis Scania do mundo desde 1999, quando ultrapassou a rival Cometa, e que conta com 1.150 veículos na frota, segundo informações não oficiais, já encomendou à Scania do Brasil 200 unidades do novo chassi K 470, cuja carroçaria será da Marcopolo, Geração 7 (G7), modelo Paradiso 1200. Os ônibus mais potentes da Gontijo, desde 2001, rodam sobre chassis K 420, em substituição aos chassis K 360. Inclusive, o primeiro lote de K 420 que chegou na empresa foi importado da Suécia ainda em 1998, quando a Scania ainda não produzia o modelo no Brasil.
Agora, com o K 470, a Gontijo, pula uma etapa, pois não tem na frota o chassi K 440 lançado no final de 2011. Ocorre que em 2012 a empresa não comprou ônibus novos. E agora, na nova aquisição, estaria relegando o K 440 e indo direto para o K 470. Imagina-se a relação peso/cv do K 470 tracionando a carroçaria Paradiso 1200. É muita potência, fica um veículo superdimensionado para o fim proposto. Além do superdimensionamento de potência, outra ressalva é o fator “custo de aquisição”, que é muito alto. Para a carroçaria Paradiso 1200 o chassi Scania K 400 fica de bom tamanho. Grupos motopropulsores com 420, 440, 450 e agora 470 cv são potências indicadas para as carroçarias LD e DD. Fica difícil e mais alongado o prazo de amortização do investimento de um chassi tão potente na planilha de custos do operador. Em outras palavras, dinheiro jogado fora.


Comil Campione HD

E, verifica-se, as carroçarias dos modelos LD (Low Driver) e DD (Double Decker), continuam a não fazer parte dos planos de aquisição da diretoria da Gontijo, que parece querer padronizar suas carroçarias em torno do modelo Paradiso 1200 e ter a Marcopolo como fornecedora oficial. Assim como já foi a Busscar e os modelos El Buss 340 entre 1990 a 1997 e Jum Buss 360 de 1998 a 2008. Com a aquisição, a Gontijo, que comenta-se deverá receber até julho do próximo ano 300 novos ônibus, pretende ter, entre as grandes empresas, a frota de menor idade média e, com isso, entrar firme na disputa das principais linhas rodoviárias assim que o governo federal lançar a nova licitação, onde a idade média da frota será um dos requisitos da avaliação.




Outro requisito essencial nesta licitação é capital de giro, para comprar as linhas licitadas. Nesse item, com certeza, a Gontijo estará muito bem preparada e poderá sair da licitação muito maior do que é hoje, com novas linhas. Já empresas como a Itapemirim, com frota velha, endividada, não sabemos se terá o fôlego necessário para entrar firme no processo licitatório e enfrentar Grupos como o Gontijo, JCA e Áurea. De repente, a empresa poderá sair drasticamente reduzida de tamanho do certame que se espera que ocorra em 2015.